segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem som

Silêncio. O vácuo dominou. Os grilos pararam de tritinar. A cigarra que, vez ou outra, rechina em minha janela, também calou-se. Apenas a noite e sua mudez me acompanha. Uma coruja (linda e com dorso branco) pousou frente à minha janela. Ao lado do poste de luz. Mas, na discrição que chegou, saiu. Calada.
Neste momento, até respirar é mudo. O ronronar da gata, tornou-se imperceptível. Os pensamentos povoaram toda a atmosfera do apartamento. Um vazio.
Solidão humana. Ermo sentimental. Deserto interior. Lacuna.
Uma gota de água (ou de outra bebida vital) poderia, de alguma forma, preencher essa sede interna. Todavia, nada seria suficiente para saciar a atual sequidão. Saliva!
As reflexões do outrem voltam. Quem dera se esse retorno trouxesse uma barulheira na bagagem. Não. A taciturnidade é insistente. Massacrante, talvez. Um soprar de vida poderia mudar muita coisa. Um simples expressar audível. Um acenar. Um assovio, porventura uma música. Um som.


Jonatan Santana