Provavelmente não
exista algo mais assustador do que o silêncio. Ele causa dor, incertezas,
angústia. Desespero. Talvez pela extrema barulheira que ele faz. Gritos,
perguntas, questionamentos, etc e tal, fazem uma verdadeira confusão interior,
enquanto por fora, o silêncio nos tira do chão. Tornando a falta de som -
palavras, diálogos e afins - a pior das ofensas. Certa vez me disseram que o
silêncio machuca. Hoje, diria eu, que ele causa muito mais do que uma simples
mazela. O silêncio nos destrói. Aterroriza. Nos tira do foco. E nem adianta se
fazer de forte. O tal silêncio consegue derrubar qualquer um. Qualquer um. E
uma coisa é certa: quando o silêncio grita, nada fica por perto. Todos fogem.
Até a pobre lágrima corre. E escorre.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
A noite.
Vejo o mundo vazio que se debate agoniado na minha
escuridão.
Triste escuridão.
Breu.
A solidão queima sob o sol. E mesmo com o intenso brilho
solar, as trevas dominam.
Escuridão.
Total escuridão.
Nada faz sentido: sem o bem, sem o mal; nem o bem, nem o
mal.
Nada.
Não existe mais nada.
Preciso ser pontual: o mundo é o calabouço das horas.
De todos nós.
De todas as horas.
Quero a lua e uma estrela. Quero o raio de sol no céu da
cidade. O brilho da lua.
É noite.
É dia.
É bem tarde.
Penso em você, fico com saudade... Quero você.
Acordo.
Não sonho mais.
Nunca mais.
Nunca mais.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Darknight
Às vezes o amor nos é apresentado de forma macabra,
assustando-nos, massacrando-nos. Destruindo-nos. Mas, afinal de contas, por que
a gente ainda insiste nessa paranoia darkiana? Por que não chutamos o balde -
de verdade! - e seguimos outro caminho? Este lado macabro e obscuro é tão
atraente assim ou nós, apenas, preferimos a penumbra à real claridade? Não sei.
Honestamente, não sei. A única coisa certa agora é que esse lado negro me
encontrou e, infelizmente, não lembro onde fica o interruptor da lâmpada mais
próxima.
O marinheiro...
Não existiam horas livres para o navegante solitário; muito
menos, noites disponíveis. O tempo, para ele, sempre foi relativamente curto.
Por essa razão, nunca tivera uma relação muito séria.
Oficial.
Então, de repente, algo muito bacana começou a surgir.
O suficiente para o fazer gelar com a simples possibilidade
de um "Oi" no porto seguinte. E isso trouxe, instintivamente, o
desejo de parar. Repousar. Cessar com as navegações no além-mar.
Pelo visto - o tal marinheiro - encontrou, finalmente, o seu
ancoradouro.
Crônica de uma marionete
Dois seres distintos, uma vontade em comum. Assim pensava o pobre boneco ao conhecer seu novo dono.
Animado com a nova morada que
ilusoriamente tinha conseguido, aninhou-se na caixa preta e seguiu nova
aventura. O novo dono, famoso especialista em marionetes, o fez sentir-se o
maior/melhor dos bonecos. Adorava ser manipulado por tão conceituado artista.
Para ele, de fato, a real grande felicidade estava ali.
Algum tempo se passou e o
"marioneteiro" viu que o tal boneco não iria servir mais para seus
espetáculos. Aos poucos foi desmontando-o. A cada peça arrancada, uma dor. O
boneco, coitado e impotente, viu seu corpo resumir-se a pedaços.
Pequenos pedaços despedaçados.
Será que o teu destino brincou
com a tua vida, te jogou confete, sem alma, sem amor, igual
marionete e deixou riso no teu rosto e lágrimas no coração...?, cogitou
tristemente ele.
Agora, o pobre, geme e chora, é ave
sem seu ninho.
Perdeu-se pelo caminho sem saber
voltar.
E ali, no lixo, viu o seu antigo
dono preparar o palco para uma nova apresentação.
Com uma nova - e não durável -
marionete.
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