Às vezes o amor nos é apresentado de forma macabra,
assustando-nos, massacrando-nos. Destruindo-nos. Mas, afinal de contas, por que
a gente ainda insiste nessa paranoia darkiana? Por que não chutamos o balde -
de verdade! - e seguimos outro caminho? Este lado macabro e obscuro é tão
atraente assim ou nós, apenas, preferimos a penumbra à real claridade? Não sei.
Honestamente, não sei. A única coisa certa agora é que esse lado negro me
encontrou e, infelizmente, não lembro onde fica o interruptor da lâmpada mais
próxima.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
O marinheiro...
Não existiam horas livres para o navegante solitário; muito
menos, noites disponíveis. O tempo, para ele, sempre foi relativamente curto.
Por essa razão, nunca tivera uma relação muito séria.
Oficial.
Então, de repente, algo muito bacana começou a surgir.
O suficiente para o fazer gelar com a simples possibilidade
de um "Oi" no porto seguinte. E isso trouxe, instintivamente, o
desejo de parar. Repousar. Cessar com as navegações no além-mar.
Pelo visto - o tal marinheiro - encontrou, finalmente, o seu
ancoradouro.
Crônica de uma marionete
Dois seres distintos, uma vontade em comum. Assim pensava o pobre boneco ao conhecer seu novo dono.
Animado com a nova morada que
ilusoriamente tinha conseguido, aninhou-se na caixa preta e seguiu nova
aventura. O novo dono, famoso especialista em marionetes, o fez sentir-se o
maior/melhor dos bonecos. Adorava ser manipulado por tão conceituado artista.
Para ele, de fato, a real grande felicidade estava ali.
Algum tempo se passou e o
"marioneteiro" viu que o tal boneco não iria servir mais para seus
espetáculos. Aos poucos foi desmontando-o. A cada peça arrancada, uma dor. O
boneco, coitado e impotente, viu seu corpo resumir-se a pedaços.
Pequenos pedaços despedaçados.
Será que o teu destino brincou
com a tua vida, te jogou confete, sem alma, sem amor, igual
marionete e deixou riso no teu rosto e lágrimas no coração...?, cogitou
tristemente ele.
Agora, o pobre, geme e chora, é ave
sem seu ninho.
Perdeu-se pelo caminho sem saber
voltar.
E ali, no lixo, viu o seu antigo
dono preparar o palco para uma nova apresentação.
Com uma nova - e não durável -
marionete.
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