terça-feira, 15 de outubro de 2013

Soprando a poeira daqui...pra longe


Adaptação de algumas crônicas de Franz Kafka.


Escrever, às vezes, é terrível. Digo, quando o ato de traduzir em palavras as coisas do cotidiano, fazem-te relembrar de pedras pontiagudas que cismam em machucar. Tentei até formular algo, mentalmente, por esses dias. Frases sem sentido, alucinações e anseios procrastinados com trabalhos, livros importantes e trabalhos da faculdade...,mas não!, não rola viver assim nessa autodestruição consciente.Um terreno fértil de pequenos erros que se tornam monstruosos a medida em que eu os alimento e acalanto. Meus pequenos filhotes – frutos da destruição interior –, pequenos cacos de vidro fincados na carne, agulhas dilacerantes no peito. Coração descosturado. Sigo caminhos que me levam a abismos novos. Buracos maiores. Eu erro com as pessoas queridas, mais ainda com as que não me querem bem algum, inutilmente sacrificando relações que poderiam me construir. Afogo lágrimas. Destruo-me. Enxugo minhas dores nos corpos alheios. Que só existem no subconsciente. Nada me satisfaz inteiramente. Tudo é ilusório e fantasioso. Humilhação.
Tudo mentira.
Mentira!
Os olhares e pensamentos meus e alheios são puramente besteiras, experiências mal vividas, traumas interiores, recalques, tristeza, escuridão, medos infantis e gritos que ecoam no inconsciente guiando ações, visões, amores e ódios. Todas as pessoas são canalhas. A vida é canalha. A religião é uma mentira desnecessária diante de todas as outras. Amor, fé, carinho... tudo relegado ao lugar de interesses.
Puro interesse.
Nada foge do jogo de interesse, tudo tem uma intenção maligna por trás. Intenção diabolicamente interesseira. Tudo leva ao fim, caos, a violência. Ao terror.
Ojeriza.
Morte.
Fim da vida.
Mais morte.
Todo dia. O sol morre. A lua morre. As pessoas morrem. Os sentimentos morrem. Noite eterna da saudade de alguns, dias de felicidade e orgulho por outros. Tristeza, melancolia, depressão.
Asco.
Nojo dos detentores de caráter (ou falta dele) que só espalha cinzas pelo mundo. Sina, fate, fado, destino: minha escuridão engole a luz alheia e apaga o mundo pouco a pouco. A vida espalha tristeza como quem pulveriza inseticida. Não leia. Pare por aqui. Nada, além disso, aqui vale a pena.
Sofro. Sinto. Choro. Tudo dói. Minhas pernas perdem as forças. Não suportam meu peso. Minhas mãos escrevem com preguiça. Sem ânimo. Muito devagar, letra por letra...soletrando cada item meticulosamente... e é tão difícil. Minha voz para. Trava. Mantém-se estrangulada. Meu coração arrancado do peito, jogado no chão, apodrecido ao léu.
Só.
Mundo podre.
Gente podre.
Podre!
Acabo sendo um peso morto levando outro defunto. Dois mortos. Dormindo na mesma cama, vivendo no mesmo corpo odiando um à outro e nos acabando, destruindo, destruindo!, matando-nos em cada ato impensado. Acho que nós nos odiamos.
Eu e eu mesmo.


Jonatan Santana

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sinto falta...


(...)
Do beijo - provocante
Do cheiro - extasiante
Do toque
Do vício - irritante

Do hálito
Do riso
Do olhar simples
Vagante

Da vida - andante
De nossas vidas
De momentos atenuantes
De você
De mim
De nós...,

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem som

Silêncio. O vácuo dominou. Os grilos pararam de tritinar. A cigarra que, vez ou outra, rechina em minha janela, também calou-se. Apenas a noite e sua mudez me acompanha. Uma coruja (linda e com dorso branco) pousou frente à minha janela. Ao lado do poste de luz. Mas, na discrição que chegou, saiu. Calada.
Neste momento, até respirar é mudo. O ronronar da gata, tornou-se imperceptível. Os pensamentos povoaram toda a atmosfera do apartamento. Um vazio.
Solidão humana. Ermo sentimental. Deserto interior. Lacuna.
Uma gota de água (ou de outra bebida vital) poderia, de alguma forma, preencher essa sede interna. Todavia, nada seria suficiente para saciar a atual sequidão. Saliva!
As reflexões do outrem voltam. Quem dera se esse retorno trouxesse uma barulheira na bagagem. Não. A taciturnidade é insistente. Massacrante, talvez. Um soprar de vida poderia mudar muita coisa. Um simples expressar audível. Um acenar. Um assovio, porventura uma música. Um som.


Jonatan Santana

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre a lapidação


Ele estava lá. Sossegado à margem de um rio, repousando sob uma rocha ou, quem sabe, escondido na mais escura das cavernas. E, de repente, uma explosão, um peneirar ou o atrito de uma britadeira o desperta. O tira do lugar de comodismo, do conforto. Do descanso.
A princípio, isso tudo pode parecer assustador. Um rapto sem autorização. Uma brusca retirada do seu lugar. De sua vida calma e monótona. Do seu abrigo. 
Estuda-se lentamente sua veracidade. Passa por uma mão, duas. Dez. E, ao ter a certeza do que se trata, a efusiva felicidade é evidente. Algo precioso foi descoberto. Tem que se comemorar. Pega-se o objeto, ainda bruto, e o vende. Aquela pequena pedra, que outrora estava em um sono solitário, ganha destaque. Mas, ainda assim, continua bruta. 
Levam-na ao mercado de pedras preciosas. Ah, um grande negociante se aproxima. Examina, detalhadamente, e: Pimba! - Essa é minha!
O negociante (que também é Expert em lapidação) a embrulha em um tecido especial e a coloca, cuidadosamente, no bolso e, assim, segue para começar o trabalho. 
Sua ansiedade em adiantar o procedimento é evidente. E, ao chegar, inicia a técnica incrivelmente meticulosa. Pouco a pouco, o brilho começa a surgir. A excitação é notória. Um diamante foi descoberto e, em breve, estará no pescoço, braço ou dedo de alguém. 
Porém, em nenhum momento se nota o interesse em saber o que ela (a pedra) está sentindo. Afinal, é apenas uma pedra. Todavia, o lapidar dói. Todo o processo é doloroso. Arrancam-se alguns pedaços, talham outros. Lixa, pole. Machuca! Até chegar a forma final, tudo dói. Desde o início a dor é uma constante. Igual à vida.
Todos nós somos, no fundo, um pouco diamantes. Somos, muitas vezes, retirados bruscamente de nossa zona de conforto. Sim, lá da rocha, da margem do rio ou de nossa linda, escura e confortável caverna. Sem um aviso prévio. Sem a preocupação em saber se essa é a nossa vontade. Então, sofremos, choramos. Às vezes, nos desesperamos.
Sair dói. Crescer é desesperador. Mas, só conseguiremos um dia adornar um pescoço, braço ou mão, se nos sujeitarmos a essa contristante lapidação chamada vida. 
Liberte-se. Subjugue-se a dor de hoje, para abrir um largo sorriso amanhã.

Jonatan Santana

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Para Galega


Há cinco anos eu tenho, entre tantos outros, um motivo incrível para sorrir. A presença de uma pessoa, mais que especial, tem feito minha vida melhor, mais agradável. Fascinante. Ela, sem dúvida, sabe das qualidades que tem e as usa. Com maestria. Tornando-se um ser humano diferente. Incrível. E no dia de hoje, seu aniversário, nada mais justo que entregar todas as honras, agradecimentos e amor, pelo que ela é. Por ser, simplesmente, ela. 

Minha amiga linda. Loira. Doida. Especial! Você é um presente. Uma dádiva, vinda dos céus, com a única função de abençoar as vidas. A minha, em particular, tem sido linda, graças a sua existência. Eu só queria deixar claro que te amo e que, seria absolutamente impossível sorrir, se você não existisse.

Feliz aniversário!


Jonatan Santana


sábado, 5 de janeiro de 2013

Sobre as novas mudanças...


Amo coisas simples, sem complexidade. Contudo, entre o amor e a razão, busco o caminho concreto, aquele que me direciona à vida de sucesso profissional. Isso é ser racional.
Posso ter as duas coisas, se quiser. Eu quero, eu posso, eu consigo. Pelo menos é disso que a vida tenta me convencer. Eu creio! Todavia, é preferível (e inteligente) ter um plano B, para as horas de anseio, indisciplina etc. Contraditório? Talvez!
Planejar é a grande arte da vida. Ser surpreendido pelo não planejado, é surreal! Mas, ao final dessas duas opções, existe algo chamado decisão! É meio redundante, mas essa é a palavra que decide!
Enfim, depois disso tudo, ainda é preciso ser firme e forte. Não cambalear. Não vacilar. E sobretudo, não ser indiferente.
O mundo é de quem o conquista... e assim, eu vou paquerando o meu. De forma lenta e gradual. Mas, persistente. Seduzindo-o a cada dia. E eu até já sei o que fazer. Não vou decepcionar-me, não hoje...


Jonatan Santana