Em
meio a um turbilhão de encenações na cúpula nacional, fatos da atualidade
tendem-se a se assemelhar a acontecimentos dos primórdios da humanidade. Seria
essa semelhança uma mera coincidência? Vejamos:
Segundo
a bíblia, o primeiro casal da humanidade, Adão e Eva, foi escolhido para tomar
conta do paraíso, o incrível Jardim do Éden. E viviam na maior paz e
tranquilidade. Tudo lhes foi permitido, exceto comer do fruto proibido. Fruto
este produzido pela chamada árvore da vida, detentora do bem e do mal, plantada,
exatamente, no meio do Jardim. E ordenou Deus ao homem, dizendo: De toda a
árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do
mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente
morrerás. É claro, o homem, possuidor de toda a curiosidade e desejo por
novas descobertas, desobedientemente, foi lá e comeu. E, assim, deu-se início á
tragédia humana.
Milhares
de anos depois, na América do Sul, certos homens, dignos de respeito perante à
sociedade, foram escolhidos para auxiliarem na administração de um país. Três
figurões, homens imponentes, admirados, acima de toda e qualquer suspeita. Com
o pé direito, cada um assumindo cargos de relevância, sendo ovacionados por um
séquito de fanáticos, tais (homens) entraram
pela porta da frente do Jardim do Éden brasileiro. Nossa Brasília agora tinha novos donos. Enfim,
depois de tanto pleitearem, chegaram lá. No topo! Um matemático, um advogado e
outro político. Simplesmente político. De corpo, alma e coração.
Delúbio,
Dirceu e Genoíno fizeram história. Tiveram o mundo em suas mãos. Foram do pó do
deserto ao topo da pirâmide. Usufruíram muito mais do que a maioria dos
trabalhadores do país. Estamparam capas
de revistas, jornais. Viraram manchete. Foram anos de luta para alcançar um sonho,
e este foi desastrosamente transformado em pesadelo, que poderia muito bem ser
escrito por Alfred Hitchcock.
Pouco
a pouco, a face oculta foi sendo revelada. A ambição pelo poder, pelo querer
mais, mostrou um rosto diferente. E, finalmente, os personagens mostraram seu
lado real. Como toda peça tem um final, e este nem sempre é feliz, a turnê do
trio não poderia fugir a regra. Acabou!
As
cortinas se fecharam e a coxia, diferentemente da maioria das encenações, foi
aberta ao público que, decepcionado, pode ver os grandes nomes da política
(leia-se dramaturgia) nacional saírem do palco para a cadeia.
Grandes
atores também cometem falhas, erram o texto, se perdem em meio à cena. E quando
o roteiro não ajuda, certamente, piora ainda mais o andamento da apresentação.
O Mensalão, com certeza, não foi um bom script a ser seguido. Adão e Eva caíram
na lábia da serpente, já nossos políticos, deslizaram na farra do Mensalão.
Coincidência ou não, ambos saíram, expulsos, e de mãos abanando, do “paraíso”.
Jonatan Santana
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