Adaptação
de algumas crônicas de Franz Kafka.
Escrever,
às vezes, é terrível. Digo, quando o ato de traduzir em palavras as coisas do
cotidiano, fazem-te relembrar de pedras pontiagudas que cismam em machucar.
Tentei até formular algo, mentalmente, por esses dias. Frases sem sentido,
alucinações e anseios procrastinados com trabalhos, livros importantes e
trabalhos da faculdade...,mas não!, não rola viver assim nessa autodestruição
consciente.Um terreno fértil de pequenos erros que se tornam monstruosos a
medida em que eu os alimento e acalanto. Meus pequenos filhotes – frutos da
destruição interior –, pequenos cacos de vidro fincados na carne, agulhas
dilacerantes no peito. Coração descosturado. Sigo caminhos que me levam a
abismos novos. Buracos maiores. Eu erro com as pessoas queridas, mais ainda com
as que não me querem bem algum, inutilmente sacrificando relações que poderiam
me construir. Afogo lágrimas. Destruo-me. Enxugo minhas dores nos corpos
alheios. Que só existem no subconsciente. Nada me satisfaz inteiramente. Tudo é
ilusório e fantasioso. Humilhação.
Tudo
mentira.
Mentira!
Os
olhares e pensamentos meus e alheios são puramente besteiras, experiências mal
vividas, traumas interiores, recalques, tristeza, escuridão, medos infantis e
gritos que ecoam no inconsciente guiando ações, visões, amores e ódios. Todas
as pessoas são canalhas. A vida é canalha. A religião é uma mentira
desnecessária diante de todas as outras. Amor, fé, carinho... tudo relegado ao
lugar de interesses.
Puro
interesse.
Nada
foge do jogo de interesse, tudo tem uma intenção maligna por trás. Intenção
diabolicamente interesseira. Tudo leva ao fim, caos, a violência. Ao terror.
Ojeriza.
Morte.
Fim da vida.
Ojeriza.
Morte.
Fim da vida.
Mais
morte.
Todo
dia. O sol morre. A lua morre. As pessoas morrem. Os sentimentos morrem. Noite
eterna da saudade de alguns, dias de felicidade e orgulho por outros. Tristeza,
melancolia, depressão.
Asco.
Nojo dos detentores de caráter (ou falta dele) que só espalha cinzas pelo mundo. Sina, fate, fado, destino: minha escuridão engole a luz alheia e apaga o mundo pouco a pouco. A vida espalha tristeza como quem pulveriza inseticida. Não leia. Pare por aqui. Nada, além disso, aqui vale a pena.
Sofro. Sinto. Choro. Tudo dói. Minhas pernas perdem as forças. Não suportam meu peso. Minhas mãos escrevem com preguiça. Sem ânimo. Muito devagar, letra por letra...soletrando cada item meticulosamente... e é tão difícil. Minha voz para. Trava. Mantém-se estrangulada. Meu coração arrancado do peito, jogado no chão, apodrecido ao léu.
Nojo dos detentores de caráter (ou falta dele) que só espalha cinzas pelo mundo. Sina, fate, fado, destino: minha escuridão engole a luz alheia e apaga o mundo pouco a pouco. A vida espalha tristeza como quem pulveriza inseticida. Não leia. Pare por aqui. Nada, além disso, aqui vale a pena.
Sofro. Sinto. Choro. Tudo dói. Minhas pernas perdem as forças. Não suportam meu peso. Minhas mãos escrevem com preguiça. Sem ânimo. Muito devagar, letra por letra...soletrando cada item meticulosamente... e é tão difícil. Minha voz para. Trava. Mantém-se estrangulada. Meu coração arrancado do peito, jogado no chão, apodrecido ao léu.
Só.
Mundo podre.
Mundo podre.
Gente
podre.
Podre!
Acabo sendo um peso morto levando outro defunto. Dois mortos. Dormindo na mesma cama, vivendo no mesmo corpo odiando um à outro e nos acabando, destruindo, destruindo!, matando-nos em cada ato impensado. Acho que nós nos odiamos.
Acabo sendo um peso morto levando outro defunto. Dois mortos. Dormindo na mesma cama, vivendo no mesmo corpo odiando um à outro e nos acabando, destruindo, destruindo!, matando-nos em cada ato impensado. Acho que nós nos odiamos.
Eu
e eu mesmo.
Jonatan
Santana
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