Estou
solteiro. Não por opção, vontade ou destino, mas por um grande problema: sou um
desastre no amor. Daqueles catastróficos mesmo. Uma parte de mim é desastrada,
a outra é totalmente desequilibrada. Tenho a triste mania de gostar de quem não
gosta de mim. Amo quem não me quer, suspiro por que nem me respira, desejo quem
não tem vontade de mim, sonho com quem nem pensa que existo, sorriu para quem
faz cara feia pra mim, ofereço o melhor de mim para quem não quer receber. Já
disse: sou um desastre. Confesso. Admito. Seria burrice? Talvez.
É a
velha “zica” de tudo sempre acabar errado. Pareço fazer tudo certo, mas o final
nem sempre é satisfatório. Na verdade, quase nunca é. Mando lembranças quando
deveria estar em silêncio. Me declaro quando deveria apenas sorrir. Escrevo
textos, contos e analogias quando, o certo, seria deitar e dormir.
Sabe,
o mundo não precisa desse romantismo todo. As pessoas costumam dizer que gostam
de gente sensível, romântico, mas, contraditoriamente, sempre terminam se apaixonando
por àquelas que lhes são indiferentes, diferentes e distantes. E, muitas
vezes, cruéis.
Improviso
encontros, me encanto e acabo deixando isso grande demais. Amo pelos dois. Por
mim, por ele. Por todos. Admiro os defeitos, engrandeço as qualidades, insisto no
carinho, sobrecarrego de afetos. Elogio a paciência, sento, admiro e suspiro. E,
na boa, isso deixa o tal amor tedioso e cansado. Sabe por quê? Porque,
ironicamente, as pessoas gostam daquilo que não têm, nunca daquilo que já
possuem.
Devo
ser um palhaço. Talvez um bobo da corte nos tempos modernos. Sempre erro quando
quero acertar. Vivo planejando surpresas, saídas pela semana, beijos ao
amanhecer, cheiro na testa, momentos íntimos, vidas juntas. Intimidade. Vivo,
sinto e penso, quero, desejo e faço. Muito.
E,
confesso, isso é meio assustador.
Ninguém
aguenta amor demais. Não adianta. As pessoas não gostam disso, querem algo mais
ou menos interessante. Ninguém quer mesmo alguém que nos ame, queremos alguém
para amarmos. Não gostamos de quem nos faz o bem, daqueles que nos quer. Gostamos de
sofrer, chorar, correr atrás. Perseguir. É instintivo. Somos caçadores.
Por
isso, digo, não tenho cura. Vou continuar errado, gostando demais, querendo o
bem. Inventando e reinventando a vida. Romanceando a relação, as coisas. Vendo cores
no escuro, luz em todos os túneis. Me encantando.
Até
não sei quando.
Jonatan Santana
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