Lindo,
diferente. Especial. O nome dele? Jorge Luís.
O
que ele tem de especial? É especial. Simplesmente pelo fato de ser quem ele é. Forte,
autêntico. Independente. O tipo de pessoa que não se limita à deficiência, mas,
que faz dela, uma razão a mais para viver. Para sorrir e para alegrar aqueles
que vierem a seu encontro.
Tudo
aconteceu de um jeito diferente. Entrei no ônibus, rumo ao trabalho, e lá
estava ele. Pulando, dançando e brincando com todos os passageiros. Era o
equilibrista das ruas de Aracaju.
Aí,
parei e tentei puxar um papo (aquela velha curiosidade comunal). Perguntei o
nome, idade, etc. E assim, ele foi me dando um relato lindo e surpreendente de
quem ele é e, o porquê daquela alegria toda. O garoto tem 15 anos, é portador
da síndrome de Down, frequenta a Igreja Internacional da Graça de Deus e é
feliz. É especialmente feliz. E isso é perceptível a todos os que o observavam.
Estava
lá, livre dos olhares críticos e sendo quem ele é na essência. Um garoto
indescritivelmente feliz. Em um dos momentos da nossa conversa, ele inventou
uma nova dancinha e me pediu para acompanhá-lo. Sinceramente, eu e a dança não
somos bons amigos. Fiquei desconsertado e falei que aquilo era diferente e eu
não sabia fazer. E assim, ele me surpreendeu mais uma vez. Virou e disse: “É
diferente, mas é legal! Papai do céu gosta do que é diferente, porque Ele é
diferente”. E, quando eu fui convencido a
imitá-lo, a mãe deu sinal e ele teve que ir embora. Sorrindo. Feliz.
Foi
então que tudo o que conversamos veio à
tona. E eu chorei. Mais uma vez.
É
surpreendente como a vida nos ensina em tudo. Em cada detalhe. No simples
sorriso de um adolescente que não se limita as suas limitações e nos ensina a
prosseguir. A ser quem realmente somos sem a preocupação dos olhares e
apontamentos. Por que Ele ama as diferenças e é nelas que opera milagres.
Ganhei
um amigo e agora sou muito mais feliz que ontem.
Jonatan Santana
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