quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ganhei um novo amigo!


Lindo, diferente. Especial. O nome dele? Jorge Luís.
O que ele tem de especial? É especial. Simplesmente pelo fato de ser quem ele é. Forte, autêntico. Independente. O tipo de pessoa que não se limita à deficiência, mas, que faz dela, uma razão a mais para viver. Para sorrir e para alegrar aqueles que vierem a seu encontro.
Tudo aconteceu de um jeito diferente. Entrei no ônibus, rumo ao trabalho, e lá estava ele. Pulando, dançando e brincando com todos os passageiros. Era o equilibrista das ruas de Aracaju.
Aí, parei e tentei puxar um papo (aquela velha curiosidade comunal). Perguntei o nome, idade, etc. E assim, ele foi me dando um relato lindo e surpreendente de quem ele é e, o porquê daquela alegria toda. O garoto tem 15 anos, é portador da síndrome de Down, frequenta a Igreja Internacional da Graça de Deus e é feliz. É especialmente feliz. E isso é perceptível a todos os que o observavam.
Estava lá, livre dos olhares críticos e sendo quem ele é na essência. Um garoto indescritivelmente feliz. Em um dos momentos da nossa conversa, ele inventou uma nova dancinha e me pediu para acompanhá-lo. Sinceramente, eu e a dança não somos bons amigos. Fiquei desconsertado e falei que aquilo era diferente e eu não sabia fazer. E assim, ele me surpreendeu mais uma vez. Virou e disse: “É diferente, mas é legal! Papai do céu gosta do que é diferente, porque Ele é diferente”.  E, quando eu fui convencido a imitá-lo, a mãe deu sinal e ele teve que ir embora. Sorrindo. Feliz.
Foi então que tudo o que conversamos  veio à tona. E eu chorei. Mais uma vez.
É surpreendente como a vida nos ensina em tudo. Em cada detalhe. No simples sorriso de um adolescente que não se limita as suas limitações e nos ensina a prosseguir. A ser quem realmente somos sem a preocupação dos olhares e apontamentos. Por que Ele ama as diferenças e é nelas que opera milagres.
Ganhei um amigo e agora sou muito mais feliz que ontem. 

Jonatan Santana

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