sábado, 16 de junho de 2012

Algumas lembranças ruins nos trazem grandes lições


Hoje acordei pensando em um dos fatos mais marcantes de minha vida. Há oito anos, eu e meus pais sofremos um acidente de carro quando voltávamos de uma viagem. Enfim, resolvi relembrar e escrever sobre isso...
Era uma típica e linda manhã de fim de fevereiro. Eu e minha família nos preparávamos para voltar de mais uma viagem. Todos os cuidados foram tomados. Revisão feita. E então, pegamos estrada. Ia tranquilamente, contemplando a linda paisagem da famosa Linha Verde baiana. A cada novo trecho, uma beleza diferente, o litoral norte, como sempre, deslumbrante. Aquele mar de cor azul, encantado, me fazia lembrar as muitas idas aquela parte litorânea.
 Seguindo viagem, aquela linda reta, de um lado praia, do outro, vegetação, e alguns trechos de dunas. Tudo parecia perfeito, até que, entre Guarajuba e Praia do Forte, o pneu traseiro, da direirta, estourou. Pronto, vou morrer! Foi exatamente o que pensei. Na velocidade que íamos, a morte era certa. Meu pai tentou controlar o veículo por uns 300 metros, mais ou menos. Mas, ao fim, não tinha jeito. Foram 5 capotadas. Lentas, dolorosas, traumatizantes. A cada nova virada, um filme diferente passava em minha mente. Em minha memória, toda a infância e adolescência me foram lembradas. Era fácil recordar de como fui uma criança feliz, de como eu me divertia com meus amigos e primos, antes morando na Bahia e agora os feitos em Sergipe. A cada nova lembrança, um desespero, uma angústia. Minha vida estava acabando ali? Daquela forma?
O trauma tomou conta do meu ser. Paralisado, estagnado, sem ter mais o que pensar ou imaginar, vi o carro terminar as capotadas e ir deslizando até uma ribanceira, a esquerda da rodovia. Foi então que o desespero aumentou em proporção colossal. Já não bastava as capotadas, tinhamos que cair ali? No nada? Pois bem, foi o que aconteceu!
Depois de 5 segundos, que me pareceram 30 horas, estávamos virados, praticamente no meio do mato, vendo a morte chegar numa lentidão extremamente desesperadora. Olhei para o lado, vi minha mãe com os óculos de sol cravado no rosto, devido ao impacto. Meu pai estava lúcido, sem ferimentos, já o nosso amigo, que viera de carona, não. Sua cabeça cortada em vários lugares e sangrando, me deixou mais agoniado ainda. Eu? Eu estava com o corpo dolorido. Minha cabeça e pescoço doíam muito. Isso tudo devido a minha altura. Lembro-me que nas primeiras capotadas eu sentia a cabeça bater ao chão e isso causou uma certa lesão no pescoço. Mas naquela hora, não era exatamente isso que eu deveria pensar. Como sair dali?
Enquanto eu pensava nisso tudo, uma pick up,  com 3 homens parou e começaram a sinalizar aos outros veículos sobre o acidente. Pouco tempo depois, outros carros foram parando, e vendo que todos estavam vivos, iniciaram a tentativa de resgate. Primeiro, meu pai saiu, ileso. Logo após meu pai, nosso amigo, com aqueles cortes horrendos na cabeça, foi resgatado. Por último, eu e minha mãe. Ela tava bem, apesar do óculos na face, tudo parecia bem. Já eu? Tava travado, calado, com o olhar fixo no nada. Foi justamente por isso, que ouvia-se todos comentarem: O rapaz morreu!
Não!
Eu não estava morto! Eu simplesmente estava sem acreditar no que havia acontecido. E isso é um tanto traumático na vida de um jovem de 17 anos. Aliás, é traumático em qualquer fase da vida. Mesmo sem falar nada,  sem piscar os olhos, conseguia ver tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Só não tinha forças para falar, nem esboçar  reação alguma. Afinal, uma experiência de quase morte não acontece (e nem deve acontecer)  todos os dias. Passados cinco (ou dez) minutos, eu comecei a sentir a vida novamente. Meus olhos voltaram a piscar. Minha respiração foi tomando força. E aquela trava na voz foi saindo aos poucos. E lentamente olhando todos ao meu redor, respirei bem fundo,  virei e falei: Estou bem, pessoal. 
Com isso tudo eu tenho uma grande certeza: Deus é bom!

Jonatan Santana

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