quinta-feira, 14 de junho de 2012

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Certa noite, falei comigo mesmo sobre a vida, sobre o tempo que vivi e aproveitei ao lado dela. Sobre os dias que ela, a vida, passou comigo. Sim, eu sei que cresci. Há alguns anos não sou mais aquela criança. Aquele menino indefeso, preocupado. Assustado. Mas algumas coisas não mudaram, nem vão mudar nunca, certas coisas permanecem. E mesmo que eu não soubesse o que ia acontecer em minha caminhada, depois de dezenas de problemas, traumas, fatos marcantes etc. acabei vendo pra onde minha grande amiga me dirigiu e, enfim, percebi que não podia deixar meu eu fugir de mim
 Eu queria ter ficado ali, naquela noite, em meio àquele turbilhão de pensamentos e lembranças, mais do que qualquer coisa, eu desejei ficar ali. Parado, vendo o tempo passar. Mas, infelizmente não pude.
Quando era adolescente, pensava no quão difícil seria vencer a tragédia da primeira espinha. Nessa época, pensava nelas e, automaticamente, lembrava de suas quatro faces: raiva, negação, culpa e depressão.
Mas, o que são as espinhas perto dos grandes desafios pessoais, profissionais e familiares que, eternamente temos que enfrentar? Sabe, tenho uma saudade danada delas. De só ter essa grande preocupação.
Crescer dói! Maltrata. Mastiga-nos aos poucos, em um processo de degustação altamente doloroso e impiedoso. Crescer nunca é fácil, você se apega a coisas que já não existem mais. Você se pergunta o que ainda está por vir? Por que isso ou aquilo? Há também, momentos em que se nota que está na hora de deixar para trás tudo que já era e olhar para frente. Pra algum alvo imaginário ou inexistente.  Outros dias, novos dias, dias por vir. Dias melhores que teimam em não chegar.
Crescer acontece num simples palpitar de coração. Um dia a gente está de fraldas, no outro já  estamos trocando as fraldas de alguém. Mas as memórias da infância ficam por um longo tempo. Eu me lembro de um lugar... uma cidade... uma casa como muitas outras casas... Um jardim como muitos outros jardins... Um cachorro como muitos outros cachorros... uma rua como muitas outras ruas. O lance é o seguinte, depois de todos esses anos, eu continuo olhando para trás. Maravilhado! Como eu fui feliz, mesmo com todos os problemas. Aliás, esses problemas me fizeram ser quem eu sou hoje. Então, de certa forma, eles me fizeram muito bem. Mais forte. Melhor!
E, quando eu me deparo com alguns questionamentos e acusações, lembro que é muito fácil assumir uma posição a respeito de alguma coisa quando não há risco nenhum. É fácil dar esmola para um pobre se você guarda o resto do dinheiro em seu bolso e fala com orgulho: “Fiz a boa ação do dia”. É fácil tomar posição contra a guerra, desde que ninguém peça que você se sacrifique. É fácil viver sob o marasmo da religiosidade, das máscaras que uma cultura impõe e muito mais. É fácil ser normal. Ser aquilo que todos sonharam que fosse. O difícil é ser você mesmo. Ter autenticidade, respeito e inteligência, para ser quem você é, sem usurpar nem desrespeitar a felicidade de ninguém. Nem muito menos deixar de agradar Aquele que, te ama incondicionalmente e, em nenhum momento te acusa ou te despreza. Enfim, o difícil é ser a verdade em um mundo de hipocrisia e mentiras.
 Um dia em nossas vidas descobrimos que nem todos os caminhos nos levarão de volta pra casa, mas, eu insisto em procurar o caminho e chegar até  Aquele que nunca rejeitará quando eu bater em sua porta. 

Jonatan Santana

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