sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Crônica de uma marionete





Dois seres distintos, uma vontade em comum. Assim pensava o pobre boneco ao conhecer seu novo dono.
Animado com a nova morada que ilusoriamente tinha conseguido, aninhou-se na caixa preta e seguiu nova aventura. O novo dono, famoso especialista em marionetes, o fez sentir-se o maior/melhor dos bonecos. Adorava ser manipulado por tão conceituado artista. Para ele, de fato, a real grande felicidade estava ali.
Algum tempo se passou e o "marioneteiro" viu que o tal boneco não iria servir mais para seus espetáculos. Aos poucos foi desmontando-o. A cada peça arrancada, uma dor. O boneco, coitado e impotente, viu seu corpo resumir-se a pedaços.
Pequenos pedaços despedaçados.
Será que o teu destino brincou com a tua vida, te jogou confete, sem alma, sem amor, igual marionete e deixou riso no teu rosto e lágrimas no coração...?, cogitou tristemente ele.
Agora, o pobre, geme e chora, é ave sem seu ninho.
Perdeu-se pelo caminho sem saber voltar.
E ali, no lixo, viu o seu antigo dono preparar o palco para uma nova apresentação.
Com uma nova - e não durável - marionete.

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