Quando
a chuva cai, minha mente se alarga e meus pensamentos e palavras tornam-se
discípulos de minhas lembranças. Lembranças essas que muitas vezes não existiram,
aspirações que em sua maioria não aconteceram e sem que eu notasse, sumiram e
nunca mais retornaram.
Perante
meus olhos as lágrimas da chuva desabam e com sua luz em meio ao céu sombrio, analiso
e em meio a cada lágrima vejo (novamente) meus devaneios, ilusões... E quando a
gota cai no chão, vejo eles sendo aniquilados assim como, um dia, meus sonhos foram.
A única coisa que me regozija em meio à
lamentação das nuvens é a última lágrima. E por quê? Por que eu jamais a vejo.
Em
meio a milhares de pingos d'água que caem, a última deveria ser a de mais
esplendor. Solitária ela cai, tendo por alguns instantes o céu só para ela, mas
ninguém a nota, e na maioria das vezes, nem se importa com ela. Talvez eu seja
a última gota, a derradeira lágrima da chuva. Ela esta ali, ninguém a vê,
ninguém pensa nela, mas, sabem que ela existe. Simplesmente existe.
Por
fim, quando a última gota cai, o céu se acende novamente e a luz do sol invade
o espaço, e então, a chuva é esquecida. Ninguém repara, mas até a última gota
ter tocado o solo, e o Sol surgido, a chuva ainda se faz presente. Contemple os
campos e matas e veja nelas a luz das gotas. Eu sei! Ninguém fará isso. O Sol
apareceu e clareou o mundo novamente. A chuva se foi e, mais uma vez, foi
esquecida. A última gota eu nunca vi, portanto, mesmo vendo meus sonhos se submergirem
em meio às demais gotas eu nunca desisto deles, por que um desses sonhos pode
estar na última gota, que eu nunca vi, por isso não sei se ele acabou ou está
para começar, afinal o brilho que fica nunca é o do Sol e sim o da última gota.
Da última lágrima.
Jonatan Santana

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