quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dias frios...


Através da umidade que corre do lado de fora da janela, observo um vagaroso e rigoroso frio que insiste em não ir embora.

Dias frios são assim, assustadores. E, por causa deles, não vejo mais o mesmo brilho de antigamente em teus olhos. Não mais sinto o calor do teu ar que, muitas vezes, insistiu em me aquecer. E onde, agora, fazendo-me experimentar da tua ausência, faz-me experimentar a mais estranha das sensações; aquela que faz doer até a alma. Onde meus pensamentos inquietos procuram, desesperamente, a razão da minha existência na sua vida. Se é que ele ainda existe.

Dias frios me incitam a ficar em silêncio, mesmo sabendo que deveria falar-te tanto. Ou, ao menos, o bastante. E por causa desse “não falar”, acostumo-me a sentir gotas escorrerem rosto abaixo. No mesmo rosto, que um dia, desejou, de forma entorpecente, sentir o suave toque de um carinho teu.

Dias tristes, digo frios, são assim. São dias de espera. Simplesmente espera. Uma espera que agora, defronte a janela, me fazem aguardar, silenciosamente, o frio (e as lembranças), passar...



Jonatan Santana

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